"Em “Our Band Could Be Your Life”, livro de Michael Azzerad sobre os anos dourados do rock independente nos Estados Unidos, Peter Jesperson depõe a respeito de um momento único para qualquer amante de música: a descoberta de uma brilhante banda até então desconhecida, dessas que surgem aparentemente do nada, capazes de causar grande impacto em todo o cenário musical ao seu redor. Jesperson, fundador da Twin/Tone Records, narra da seguinte forma o dia em que recebeu uma gravação caseira das mãos de um garoto pouco confiante: “eu mal cheguei ao fim da primeira música e já quis ouvi-la novamente. Fiz isso de novo, de novo e de novo. Se eu tive algum momento mágico na minha vida, foi quando coloquei aquela fita para tocar pela primeira vez”. O garoto em questão era Paul Westerberg, e a tal fita continha nada menos que o primeiro registro dos Replacements, uma das mais influentes bandas da história do underground norte-americano.

Sempre me lembro desse relato quando falo sobre o Lupe de Lupe. Tive a sorte de conhecê-los há alguns anos, no início da história da banda. Ao passo em que eles tinham poucas apresentações em seu currículo e nenhum registro oficial, eu tinha pouquíssima fé no novo rock brasileiro. Ainda assim, já ficava evidente que eu tinha me deparado com uma banda diferente pela postura contestadora e inquieta (até demais) dos seus integrantes. De forma que, antes mesmo de ouvi-los, eu já sabia de que se tratava de algo altamente promissor – mesmo que o Vitor, um dos guitarristas e vocalistas, insistisse em tentar me convencer do quão ruim eram suas composições.

Quando finalmente os ouvi, pude me certificar da explicação para aquele comportamento: um caso de injustificável modéstia. O primeiro EP do Lupe de Lupe, “Recreio”, foi a melhor estréia de uma banda brasileira que eu ouvi nos últimos anos. Tão diferente do que estamos habituados a ouvir dessa geração profundamente influenciada Los Hermanos que chega a ser difícil descrever a sonoridade que os caracteriza: guitarras distorcidíssimas e afinadas de forma pouco convencional, letras repletas de referências literárias, surpreendentes mudanças de andamento... sei que eles costumam usar por aí o termo “noise pop” para falar de si mesmos. Vai muito além da junção simplória desses dois gêneros, mas é um bom primeiro passo para tentar classificá-los.

Na última semana eles lançaram um clipe para uma música curiosamente batizada de “Há algo de podre no reino de Minas Gerais”. E é nesse ponto que eu retomo a arriscada comparação com os Replacements, que surgiram no auge da popularização do hardcore e sofriam por não conseguirem se enquadrar no que estava acontecendo na cena de Minneapolis no início dos anos 80. Acontece algo parecido com o Lupe de Lupe, tão visivelmente diferente da maioria dos artistas mineiros da sua geração. A relação conflituosa da banda com sua terra e seus conterrâneos percorre toda a letra, de forma menos amarga e crítica que o título sugere. A bem da verdade, os últimos versos da música explicitam de forma mais fiel o espírito da coisa: “Eu falo alto, toco alto, bebo, grito e choro/ e meu coração não é mediano e nem é mineiro/ Mas talvez por sonhar demais/ meu coração seja Minas Gerais”.

Com todas as suas muitas virtudes, contradições e arestas a serem aparadas, o Lupe de Lupe é uma apaixonante, audaciosa e inteligentíssima banda de rock. Coisa das mais raras hoje em dia. Se eu tivesse que escolher uma nova banda brasileira para apostar minhas fichas, como fez o tal Peter Jesperson ao largar tudo para produzir os Replacements por alguns anos, não tenho dúvidas de quem seriam meus escolhidos." 
 
 
Conseguimos concluir mais uma etapa na composição do nosso segundo disco, Sal Grosso, com o lançamento desse vídeo de direção de Jonathan Tadeu. Agradecemos a Guilherme Vilela, Luísa Costa e Roberta Torido pelo apoio e todas as pequenas coisas. Hoje tem festa no Nelson Bordello, hoje fazemos festa nessa Belo Horizonte. É como um dia disse um gênio: um passo por vez.

 
 
Dia 28 lançaremos nosso novo clipe. Meio dia em ponto você poderá assisti-lo aqui. 

No mesmo dia, se você estiver em BH, poderá comparecer a festa organizada pelos nossos companheiros de longa data, o Coletivo Fórceps. A cada dia que passa, nossas apresentações em Belo Horizonte se tornam mais raras. Então, é preciso comparecer se você quer conferir algo do nosso novo disco antes do lançamento. Nesse concerto você poderá curtir também a performance da banda Festenkois e dos sets musicais selecionados por Meio Desligado e Fumi-e.

Participem das discussões do evento no facebook e envie seu nome para amigosdonelsonbordello@gmail.com para pagar menos.

Confiram o flyer abaixo, mais uma parceria nossa com o artista Carlos Avendaño.

Links suficientes para vocês se ocuparem durante essas duas semanas que precedem o show e o clipe.
 
 
Jonathan Tadeu demonstra como tem sido nossa vida esses dias por aí: saudades do Renan, ir a ensaios, gravações e uma data para nosso próximo disco.

 
 
O nosso novo videoclipe será dirigido por Jonathan Tadeu, da banda Quase Coadjuvante (diretor do videoclipe "Às Vezes"), com a ajuda do nosso amigo Guilherme Vilela. Aqui vão algumas fotos da cena do magnânimo Renan Benini: nosso vocalista preferido e nosso melhor amigo. Ele, na quarta-feira, mudará para a cidade de Muriaé, deixando para trás composições, linhas de baixo e vocais gravados para o nosso próximo lançamento, além de imagens para o próximo videoclipe, corações tristes e cabeças cheias. "Volto em agosto, estarei aqui para a mixagem final do disco e para o nosso show de lançamento apenas, o resto é trabalho braçal em Muriaé" canta o trovador. Deixamos aqui então uma despedida, mesmo que breve, para nosso grande amigo e baixista, Renan. Boa viagem e volte logo.
 
 
Eis que, quando começamos a gravar o novo disco, apareceram inúmeras boas novas: Recreio foi um sucesso na listas de fim de ano de vários sites nacionais e, pasmem, em alguns sites internacionais. É uma grande honra para nós estar em todas essas listas. Uma das várias coisas que sonhávamos e nunca imaginamos alcançar, assim como um dia sonhamos em gravar um cd e tocar pelo Brasil. Todos vocês colaboraram para isso acontecer. Muito obrigado. Que venham mais anos e mais músicas e mais listas. Novamente gostaríamos de agradecer a todo mundo que ajudou a gente até agora. Deus sabe que às vezes as coisas podem ficar difíceis, mas vamos continuar até o fim dos tempos, pelo menos por enquanto. Resolvemos deixar aqui os links mais importantes.

Lista das melhores músicas nacionais, do site Meio Desligado.
Lista dos discos que você deveria ter escutado em 2011, do site Hominis Canidae.
Melhores discos nacionais de 2011, do site O Inimigo.
Os 5 melhores discos nacionais de 2011 e 1 gringo, do site Altnewspaper.
15 músicas brasileiras que você deveria ter ouvido em 2011, do site RockinPress.
Os 100 melhores álbums brasileiros de 2011, do site RockinPress.
Os 30 melhores discos nacionais, do site To Fix The Sound In Your Head.

E, enfim, uma das grandes surpresas do exterior: a lista dos melhores do ano, do site Dedicated Ears, de Chicago.

"Hailing from Belo Horizonte and playing a mixture of noisy shoe gaze on "Brejo das Almas" and including Brazilian music influence rock on "A Escrava Isaura", "Lupe de Lupe move about these sounds creating a chameleon of an album. I love the immediacy of the simple production and no overdubbing, making for a glorious raw sound."

Obrigado.

E, caso você não ouviu o disco, clique na imagem para o download.
 

    Lupe de Lupe

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